sábado, 21 de junho de 2008

Emoções

As cerimônias das nossas Bodas de Diamante transcorriam normalmente, desde a nossa entrada na Matriz de São José: como noivos, Aparecida e eu percorremos o corredor central da igreja, seguidos por nossos filhos com as respectivas esposas, netos e netas. Nossa filha, Sheilinha, também formava o séquito, enquanto todos os presentes nos olhavam sorridentes. Estava emocionado, é claro, mas não poderia supor o que viria. O vigário se referia o tempo todo à importância do evento, citando-nos como exemplo para a comunidade presente. Havia um coral de meninos e meninas que cantavam hinos em ritmos populares, com percussão e tudo, de tal forma que o clima era festivo, alegre e - por que não dizer? - quase dançante.

Surpreendente foi a decisão do Pe. Eugênio em repetir ali, na frente de todos, a cerimônia tradicional do casamento. Chamou-nos ao altar, convocou filhos, netos e parentes para ficarem ao nosso lado e me colocou frente a frente com minha noiva, quer dizer, minha esposa, Aparecida. Principiou:
- Ismael, o senhor aceita a Aparecida, aqui presente, em matrimônio?
- Sim, respondi com voz firme.
- Aparecida, a senhora aceita o Ismael, aqui presente, em matrimônio?
- Sim, falou Aparecida.

Invadiu-me uma avalanche de lembranças.
Voltei ao tempo de rapaz e me vi na calçada da principal rua de Nova Era, apreciando as mocinhas que faziam o footing nas noites de sábado e domingo. A rapaziada ficava na calçada, enquanto as moças andavam de um extremo a outro do quarteirão. Colocavam os melhores vestidos, penteavam-se e se perfumavam. Às vezes, faziam uma espécie de cordão, com cinco ou seis delas de braços dados, ocupando quase toda a largura da rua, rindo, gargalhando.
Os marmanjos jogávamos olhares e piscadelas, ora correspondidos, ora ignorados. Elas, por sua vez, lançavam olhares e sorrisos, às vezes tão explícitos que poderiam se confundir com sem-vergonhice. A maioria se portava discretamente e muitas dissimulavam o interesse, com medo de serem mal vistas ou mal faladas.
Numa dessas noites, imaginava que tudo seria igual ao de sempre: um flerte aqui, uma risada ali, alguma brincadeira ou inocente piadinha sussurrada aos ouvidos da moça mais próxima.
De repente, meu coração deu um salto, disparou que nem os cavalos lá no Morro dos Coqueiros: o olhar de certa morena de olhos verdes fulminou-me! Seu sorriso derreteu os músculos de minhas pernas, que tremeram como se de gelatina fossem. Descobri, ali, minha eterna namorada: Aparecida!

Outras imagens desfilaram em minha mente, enquanto o padre recitava mais e mais perguntas acerca das promessas do matrimônio. Como pode uma vida inteira caber em um segundo de memória?

Ouvi dizer que não existem palavras para expressar uma grande emoção. Eu mesmo já perdera a voz, seja por rouquidão, seja por susto diante de um acontecimento espantoso ou trágico.

Ali, diante da minha eterna namorada, Aparecida, perdi a voz. Sim, senhor, perdi completamente a voz, não sabia o que dizer e parecia que o ar jamais sairia dos meus pulmões. Não, ela não me sufocava, nem susto eu sentia. Foi, realmente, por pura e enorme emoção.


A voz sumiu, o peito apertou e a garganta paralisou quando teria de repetir, palavra por palavra, o juramento final, ditado pausadamente pelo vigário:
- Maria Aparecida, eu te recebo como minha legítima esposa, e prometo ser fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida.

Novamente as lembranças se desfiaram uma a uma, numa velocidade incrível, porém nítidas, claras, estonteantes. Sessenta anos de vida em comum nos proporcionaram alegrias desmedidas mas, também, sofrimentos e angústias enormes: o nascimento de cada um dos filhos, as conquistas materiais, os apertos financeiros, as doenças... ah! as doenças.

São os momentos de dor que mais fortemente revelam o tamanho do amor que une os casais. Estar juntos na alegria, nas festas, nas viagens e na bonança é muito fácil. Entretanto, nosso casamento se fortaleceu exatamente na construção diária de esperanças em dias melhores; no apoio mútuo: eu ao lado da Aparecida, ela do meu lado, nós ao lado dos filhos. Como uma barra de ferro que é temperada na forja e na bigorna, nossa união se firmou nos entreveros que a vida nos proporcionou. Eis-nos, agora, alegres, sorridentes, felizes a abraçar todos e cada um. A vida nos temperou!

A celebração chegava ao fim.
Por um capricho devocional, Aparecida quis que se repetisse, ali, naquele momento, uma tradição dos tempos em que nossos filhos eram crianças. Uma almofada de veludo vermelho em forma de coração representava o sagrado coração de Jesus e Aparecida pediu que cada um dos filhos e netos trocassem os espinhos (alfinetes) por flores (recortes de papel). O coral entoou uma antiga música sacra, denominada "Coração Santo". O povo soltou a voz e uma salva de palmas encerrou a devoção.

Da igreja fomos ao clube, onde nos esperava um grande almoço, para mais de 300 convidados. Tudo muito bem organizado, as mesas repletas de amigos, parentes, conhecidos. Havia fotos que contavam a história de nossa família, álbuns que as pessoas folheavam e reconheciam parentes, locais, situações de décadas atrás. Não conseguirei descrever com detalhes, mas quem conosco esteve jamais esquecerá.
Que venham outros sessenta anos!

domingo, 8 de junho de 2008

CASAMENTO HEXA-CAMPEÃO

Eu e minha eterna namorada Aparecida, contraímos matrimônio em 05/06/1948, na igreja matriz de São José, localizada lá no topo da ladeira, a meio caminho da gruta de São José e suas águas milagrosas.

Aparecida e eu - 05.junho.1948 Posted by Hello


A cerimônia religiosa foi celebrada pelo meu amigo, o padre Antônio Mendes Barros, que sempre me cumprimentou assim:
- Oh! Árbitro da elegância masculina!!!
E eu respondia no mesmo tom:
- Oh! Sua Santidade o Papa!!!
A igreja, literalmente cheia, estava ornamentada com flores, candelabros com suas velas acesas, tapetes vermelhos e outros detalhes; os bancos, repletos de convidados que conversavam a meia voz uns com os outros.
Quando eu e minha mãe, Eutargina – que se apresentava como Nhanhá - desfilamos em direção ao altar, não se ouviu o menor ruído, todos em silêncio com os olhos voltados para nós, estampando, nos semblantes risonhos, entusiasmos e alegrias. Eu olhava para a direita e esquerda sorrindo ... sorrindo sempre. Em cortejo, as testemunhas também desfilaram em direção ao altar.
Bem à frente, em bancos reservados para os familiares, meu pai Ilídio Clementino – conhecido como Sêo Ilidinho - se encontrava junto aos meus irmãos: Diló e sua esposa Olga, com o filho Wagner; Cici - de saudosa memória; Irany, Inésia, Ismar e Irineu. Até a minha avó Leopoldina, que chamávamos de Mamãe Didina, compareceu. Lá estava a avó da Aparecida, dona Maria Moreira, conhecida parteira da cidade, que ajudou o meu filho Cláudio a nascer. É lógico que não faltaram a mãe de Aparecida, dona Raimunda (Mundica) e suas três filhas, Terezinha , Vilma e Zizina, além do meu amigo José Viana e minha prima Zoraida, como testemunhas.
Minha noiva, na porta da igreja, aguardava o término do cortejo.
O coral, dirigido pela freira Irmã Celeste, entoou a Ave Maria de Gounod, num emocionante fundo musical para a entrada de Aparecida, de braços com o saudoso pai, José Bonifácio Domingues, vestido num terno impecável, sempre muito elegante, vaidoso que era.
Lentamente, eu e minha mãe nos encaminhamos em direção a Aparecida que se aproximava. Cumprimentei meu sogro, Bonifácio, despedi-me de minha mãe Nhanhá e respeitosamente depositei um ósculo na face de minha quase esposa. Juntinhos nos dirigimos ao altar-mor, onde nos aguardava o Padre Antônio.
A cerimônia transcorreu de acordo com o ritual. Um momento inesquecível foi a Bênçãos das Alianças:


1ª Bênção
Os dois pajens, Maria Costa minha irmã e afilhada mais o Haroldo, irmão de Aparecida, vagarosamente caminharam em nossa direção conduzindo as alianças que repousavam sobre delicadas almofadas.
O sacerdote abençoa as duas alianças. Pega a menorzinha, coloca-a em minhas mãos e manda que eu a beije e a coloque no dedo anular da mão esquerda de Aparecida, recitando:
- Maria Aparecida, eu te recebo como minha legítima esposa, e prometo ser fiel, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida.
Em seguida, tomou a outra aliança, entregou-a a Aparecida, que
a beijou e colocou no meu dedo, com idênticas promessas, respeitadas até hoje, durante esses últimos 57 anos.

2ª Bênção - Bi
Dez anos são transcorridos. Estamos em 1958.
Numa tarde, nós dois estávamos de volta lá da gruta de São José, quando resolvemos entrar na igreja matriz para orações.
Por acaso, realizava-se um casamento. Percebemos que se tratavam de pessoas humildes, pobres. Aguardamos à porta para não incomodar. Eram dois idosos que se casavam, testemunhados apenas por uma senhora mais idosa e o padre. A igreja estava quase deserta.
Em dado momento, o celebrante nos chamou e pediu emprestadas as nossas alianças, para que a cerimônia ficasse completa. E nossas alianças foram abençoadas pela 2ª vez...

3ª Bênção – Tri – As Bodas de Prata
Quinze anos depois, em 1973, as mesmas alianças recebem a bênção pela terceira vez, quando comemoramos nossas Bodas de Prata. Houve uma Missa Festiva, com a presença de muitos amigos, parentes e de todos os nossos 9 filhos, a saber: Cláudio, Clóvis, Cléver, Ismael José, Sheila, Jaques, Ilídio, Nélio e Bonifácio. Agora, as alianças já são tri-campeãs!!!

4a. bênção - 1983 - Tetra
Desta vez, éramos testemunhas de um casamento muito chique. Igreja lotada, com direito a Marcha Nupcial e outras pompas.
Tudo normal até o momento da cerimônia da bênção das alianças.
Os pajens se aproximam dos noivos e do padre, com uma salva de prata, na qual deveriam estar as alianças no meio de pétalas de rosas. Surpresa e decepção: não havia aliança nenhuma!
Estávamos, eu e Aparecida, ao lado dos noivos. O padre teve a presença de espírito de nos pedir emprestadas as nossas próprias alianças. Abençoa-as e as entrega aos noivos, dando continuidade à cerimônia. Só no final do casamento, elas nos foram devolvidas. Pela quarta vez, são abençoadas.

5a. Bênção – 1998 -Penta – Bodas de Ouro
As Bodas de Ouro, como convinha, foram celebradas com as maiores pompas na mesma matriz, superlotada. Filhos, noras e netos demonstrando alegria pelo crescimento da família Costa. O novo vigário, Padre Efraim Solano Lopes, toma em suas mãos as velhas alianças.
Com emoção, presenciamos a 5ª bênção. Feliz, posso dizer:
- Temos alianças penta-campeãs... de bênção! Até 2005, sem dúvida, é recorde mundial!

6a. Bênção – 2008 - Hexa – Bodas de Diamante

Dia 5 de junho, na semana passada, Aparecida e eu completamos os 60 anos de vida em comum.
Parece que foi ontem, ali mesmo sob o altar-mor da Matriz de São José. Recebemos as bênçãos sacramentais pelas mãos do Padre Antônio Mendes, os padrinhos e parentes ali ao lado, a igreja repleta...
Agora, a festa está sendo preparada para domingo, dia 15 de junho: outra Missa, mais bênção e um almoço comemorativo. Filhos, netos, sobrinhos, amigos daqui da cidade e de fora, convidamos e aguardamos todos.
Nada de muito luxo, nada de ostentação, mas esbanjaremos alegria e contentamento com a presença de cada um.
Eis o nosso patrimônio: o respeito, a admiração, a alegria de termos uma família unida e amigos constantes.
Por isso, posso dizer com orgulho: nosso casamento é hexacampeão.
E que venham outros campeonatos!!!
Aguardamos vocês!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Segredo conjugal

Muitos me perguntam, seja pessoalmente, seja por telefone, até por e-mail:
- Soié, como é possível viver tão bem com a esposa, em tão perfeita harmonia, sem brigas ou discussões?
O povo ficou muito curioso, depois que Aparecida e eu fomos entrevistados sobre esse assunto, pelo repórter do Labirinto, daqui de Nova Era. Provavelmente por indicação de meu filho Bonifácio, bacharel, redator daquele jornal. Querem saber como nos mantivemos casados durante 59 anos, já pensando nas festividades das Bodas de Diamante, sem nunca termos uma discussão, por menor que seja. Faço questão de dizer: estamos sempre de acordo.
Incrédulo, o jovem repórter indaga:
- Mas vocês nunca discutiram, mesmo?
- Não, de maneira alguma, garanto.
- Como é possível uma coisa dessas?
- É fácil, respondo. Escute a história que vou contar e terá a receita exata da paz conjugal.
Tudo começou já na lua-de-mel. Recém-casados, lá fomos nós para a Pousada do Rio Quente, em Goiás.
O inesperado foi que minha mulher levou consigo uma gatinha à qual se afeiçoara desde os tempos de noivado. Não pude evitar, pois ela me disse que o tal bichinho era tudo que mais amava na vida, a criatura sem a qual ela preferiria morrer. Diante de tão forte argumento, fazer o quê?
Pois bem, passeamos muito, até visitamos a cratera de um extinto vulcão, de onde brotavam as famosas águas quentes. Foi ali que começou a coleção de pedras da Aparecida: catou um pedaço de lava, pretinho.
Sem entrar em detalhes, posso garantir que nos divertimos muito, sempre acompanhados do animalzinho de estimação.
Certo dia, sem mais nem menos, a tal gatinha mordeu o dedo de Aparecida. Indignada, com os olhos merejados de lágrimas, olhou bem nos olhos do bichano e falou:
- Um!
Dia seguinte, outra mordida. Chorando, Aparecida encarou a gata e murmurou-lhe no pé do ouvido:
- Dois!
Na terceira mordida, Aparecida, para meu maior espanto, sacou da bolsa uma garrucha, gritou "Três" e sapecou uns cinco tiros na bichinha!!!
Obviamente fiquei apavoradíssimo, não sabia o que dizer, fiquei mesmo furioso e parti pra cima de minha mulher:
- Sua ignorante, desalmada, porque é que tu fizeste uma coisa dessas com a gatinha, mulher?
Ela me olhou com aquele mesmo olhar que dirigira para a gatinha e, com o dedo indicador na ponta de meu nariz, gritou:
- Um!
....
Depois disso, meu caríssimo repórter, nunca mais discutimos. Jamais discordei, contrariei, nem em ato nem em pensamento.
É isso que todos precisam saber: nunca me esqueci daquela voz decidida principiando a contagem:
- "Um..."
Pensa você que eu iria deixá-la chegar ao "Três"?
- Este é o segredo de uma vida conjugal serena, harmoniosa, duradoura.

sábado, 26 de abril de 2008

Chup-chup x Silicone

Transcrevo uma crônica publicada em jornalzinho daqui da região. Trata-se de publicação modesta, porém muito noticioso:

S I L I C O N E X C H U P - C H U P

Cidade pequena é assim mesmo, comentou, vira notícia.
Estava este que vos escreve sentado na Praça Cônego João Pio, em Goiabal, como sempre de olhos e ouvidos atentos.
Ao lado, duas senhoras papeavam:
- Amiga, você não sabe da melhor!
- O que é? Fala logo, não agüento de tão curiosa!
- Nossa amiga, a fulana. Vendeu chup-chup durante três anos seguidos.
- E daí?
- Daí que ela guardou o dinheirinho da venda, dia-a-dia, no cofrinho!
- Continuo não entendendo!
- Eu explico: o sonho dela era fazer cirurgia dos seios. Após três anos de economia, quebrou os cofrinhos, trocou as moedas por notas e partiu para Belo Horizonte com pouco mais de 1.200 reais na bolsa. Na clínica, ela perguntou:
- Doutor, quanto custa a cirurgia para turbinar meus seios?
- Só 4.500, com tudo pago: médico, anestesista e internação, respondeu o cirurgião.
- Ta bom! Eu volto daqui uns dias. Obrigada.
Desiludida, volta para sua cidade e conta ao marido aos prantos:
- Amor, fiz economia durante três anos para lhe fazer uma surpresa e não foi possível, faltaram R$ 3.200! Buá! Buá! Buá! Snif! Snif! Snif!
- Querida, vou lhe ajudar, decidiu o maridão.
Saiu, então, à procura de um caminhão mais velho e trocou pelo seu, novinho. Com o troco nas mãos, completou a quantia para a esposa.
Lá foi ela, de novo, feliz da vida, à procura do tal cirurgião.
Com o sonho realizado, sentindo-se toda poderosa, chegou poposuda em Goiabal-MG, exibindo as duas turbinas. Para realçar o visual, comprou vestido e blusas bem decotados. Sutian? Nem pensar!
Logo os problemas começaram a surgir: a testa do maridão começou a coçar, a coçar, até que veio a separação. O coroa foi trocado por dois de trinta.
Resultado: o bom marido ficou de caminhão velho e... sem mulher!
Cá com meus botões, fico matutando:
Isso é que dá rejuvenescer a esposa. Caso ela venha a se arrepender do que fez ao maridão e quiser se desfazer do silicone, terá que vender chup-chup por mais dez anos seguidos, porque maridão não tem mais caminhão novo pra trocar...
___________
Se você quer fazer chup-chup, também conhecido como geladinho, a receita está aqui. Quem sabe poderá fazer uma plástica, também?

domingo, 30 de março de 2008

Meu pai me ensinou

Republico:

MEU PAI ME ENSINOU

Já se passaram mais de sete décadas...

Recordo-me com muita satisfação de fatos freqüentes em minha infância. Um deles é o seguinte:

Eu e meu irmão mais velho, Diló, que atualmente reside no bairro da Serra, em Belo Horizonte, éramos garotos sadios, e espertos. Às vezes fazíamos trapalhadas, pois jogávamos pedras com “estilingue” (bodoque) no telhado dos vizinhos. Mas... isso já passou, deixa pra lá.

Nosso pai, conhecido como Sô Ilidinho, era comerciante. Diversas vezes, durante a semana, nos acordava pela manhã, bem cedinho, com o dia ainda escuro e nos convidava para sair à rua, a fim de achar dinheiro (pratinhas). Explicava que alguma pessoa poderia ter perdido alguma moeda, durante a noite. Caminhávamos, então, em direção à parte onde o comércio era mais movimentado no período noturno.

Importante: sempre achávamos dinheiro! Era comum encontrar duas a quatro pratinhas. Como era gostoso abaixar e apanhar aquelas moedas.

Antes de voltar pra casa, papai nos conduzia às margens do rio Piracicaba que, na época, tinha águas cristalinas. Descalços, entrávamos no rio e nos ensinava a nadar. Que delícia!

Eu e o Diló deitávamos na água e papai, com a palma da mão debaixo de meu queixo, mantinha minha cabeça fora d’água para que aprendesse a boiar, movimentar os pés e braços, enfim, aprendesse a nadar. Claro que aprendi. Diló, igualmente: como nadávamos bem!

Chegando em casa, nossa mãe, Nhanhá, colocava 2 ovos de galinha caipira a esquentar, um pra mim outro para o Diló. Em seguida, servia-nos café-com-leite e pão com manteiga. Que saudade de meus pais!!!

Depois que me tornei adulto, pensei:

- Seria o próprio papai quem jogava as moedas para a gente encontrá-las? Seria esta a sua maneira de nos acostumar a levantar sempre bem cedo?

Se assim foi, conseguiu o objetivo.

Todo fim de semana, eu, Diló e outros companheiros nadávamos no Piracicaba, que era bem mais profundo e limpo do que hoje.

O lugar predileto para entrada no rio era exatamente onde agora está a Ponte dos Arcos, da qual falei outro dia. Em nado de braçadas, alcançávamos a outra margem, 50 metros abaixo. Após um pequeno descanso, nadávamos de volta até o meio do rio. Daí, em nado de costas, a água nos levava até um local próximo à atual ponte Eliezér Batista, exatamente onde existia uma praia de areia bem branquinha, na qual brincávamos a valer.

Depois, caminhando rio acima, alcançávamos novamente o ponto inicial. Caíamos então na água, nadando de braçadas para a outra margem, mais próxima à nossa casa.

sábado, 15 de março de 2008

Como viver a Quaresma

Tenho em mãos, um recorte do jornal Estado de Minas, onde Felipe Aquino, professor, teólogo, fez publicar uma crônica, a qual tenho o grato prazer em transcrever nesse cantinho.
A quaresma é um tempo especial em que a Igreja Católica nos convida a preparação para a maior solenidade do ano litúrgico: A Páscoa de Jesus, sua ressurreição, a vitória da vida sobre a morte, da graça sobre o pecado. Cristo jejuou e rezou durante 40 dias antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto, e nos ensinou a vence-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a igreja quer nos ensinar como vencer as tentações de hoje. Dai, surgiu a quaresma, que teve início na quarta feira de cinzas quando os sacerdotes colocam um pouquinho de cinzas sobre a cabeça dos fiéis na missa. O significado desse gesto é lembrar que um dia a vida termina neste mundo, que voltamos ao pó.
Por causa do pecado, Deus disse a Adão: És "pó, e ao pó tu hás de tornar" (Gênese 2.19)
A Igreja recorda que estamos de passagem por esse mundo e que a vida de verdade começa depois da morte. As cinzas nos lembram que, depois da morte prestaremos contas de todos os nossos atos, e de todas as graças que recebemos de Deus nesta vida, a começar da própria vida, do tempo, da saúde, dos bens etc. Esses 40 dias são um tempo forte de meditação, oração, jejum, de fazer caridade. São práticas que a Igreja chama de remédios contra o pecado.Trata-se de um tempo para se meditar profundamente a Bíblia, especialmente os evangelhos, a vida dos santos, viver um pouco de mortificação (cortar um doce, cigarro, bebida, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão, etc), com a intenção de fortalecer o espírito para que possa vencer a fraqueza da carne.
Sabemos como devemos viver, mas não temos força espiritual para isso. A mortificação fortalece o espirito. Não é a valorização do sacrifício de maneira mazoquista, mas pelo fruto da conversão e fortalecimento espiritual que ele traz. Quaresma é um tempo de rever a vida e abandonar o pecado. (orgulho, vaidade arrogância,ganância, pornografia, sexismo, ira, gula, inveja preguiça, mentira, etc.) , enfim, viver como Jesus recomendou: Vigiai e orai, porque o espírito é forte, mas a carne é fraca.." Engana-se, entretanto, quem pensa que a quaresma é tempo de tristeza.Ao contrário, já que a alma fica mais leve e feliz. O prazer é satisfação do corpo, mas a alegria é a satisfação da alma. Santo Agostinho dizia: "Os teus pecados são tua tristeza, deixa que a santidade seja a tua alegria". A quaresma nos traz um tempo de paz, alegria e felicidade, porque chegamos mais perto de Deus.
Uma confissão bem feita é o meio mais eficaz para se livrar do pecado. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da ressurreição. (jo 20.22) dizendo: "A quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados". Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livres das misérias da alma e estar em paz com a consciência. Especialmente aqueles que a muito não se confessam. têm na quaresma uma graça especial de Deus para se aproximar do confessor e entregar a Cristo , nele representado suas misérias.
A Santa Missa também deve ser observada, porque é a prática de piedade mais importante da fé católica. Devemos participar, se possivel, todos os dias da quaresma. Na missa, estamos diante do calvário. É a atualização do sacrifício único de Jesus. A igreja nos lembra que todas as vezes que participamos bem da missa "torna-se presente a nossa redenção",assim poderemos viver bem a quaresma e participar bem da Páscoa do Senhor, enriquecendo a nossa alma com suas graças extraordinárias.
Fim
"Senhor", eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizeis uma só palavra e serei salvo.

sábado, 15 de setembro de 2007

Jaboticabas ao ponto

No meu texto anterior, falei de nosso quintal.

Em cada época do ano, temos frutas que variam conforme a estação: acerolas que estão em flor, e darão frutos lá pelo final de 2007; a ameixeira já está carregada; o abacateiro está começando a dar flores, e em breve teremos frutos; até côco da Bahia já comemos no início do ano, colhidos aqui mesmo; mamão docinho dá o ano inteiro; laranjas e mexericas chegarão em abril próximo; e temos ainda caqui, limão, manga, pêssego, figo, pitanga, amora...

Apesar de ter mencionado muitas e muitas frutas deliciosas, não disse sobre aquela que faz a alegria da família, quando chega a sua época:
AS JABOTICABAS!!!

Muita gente pelo Brasil afora nem as conhece, vou explicar aqui: são redondinhas e pequenas como uvas, têm a casca preta e lisa bem brilhante, e ficam presas ao tronco e galhos da árvore, que, dependendo da idade, pode ser bastante frondosa! Sua polpa é branca e bem doce, com uma pequena semente (que eu costumo engolir quando não como direto do pé...).

Para quem não sabe, as jaboticabeiras são típicas do estado de Minas Gerais, e nosso saudoso JK as adorava! Dizem até que mandava importar as frutas, que eram enviadas por seus amigos daqui, quando ele morava na Europa...

Pois agora chegou a época da jaboticaba, e vejam só como está uma de nossas árvores:



Neste final de semana, temos a companhia do filho
Cláudio, que veio com nossa nora Amélia, e a neta Ana Letícia.

Amanhã bem cedo, domingo, tomaremos o café-da-manhã no quintal, em meio às flores de minha eterna namorada Aparecida, e sob a sombra das árvores... e claro! Comendo muitas e muitas jaboticabas.

Alguém aí aceita?

Ps.: Foto tirada por mim, hoje pela manhã.